Cerca de metade da população mundial absoluta habita centros urbanos, é o que indica o estudo mais recente do IBGE. O Instituto ainda prevê que, em 2050, 70% da humanidade viverá em cidades. Diante dessa premissa, tendo em vista o contexto brasileiro, a ONU pressupõe que São Paulo será, em 2025, a sétima maior cidade do mundo, e o Rio ocupará a 22ª posição. Para nós, urbanos ferrenhos, que consequências esses dados sugerem?

A interpretação dos números acima traz informações de enorme relevância para a conjuntura social, econômica e política do país. Esse processo acelerado de urbanização presume: crescimento desordenado, congestionamentos, agravamento da falta de segurança pública, depredação de área públicas, consumo crescente de energia, uso irracional de água, aumento do volume do lixo, interferências irreparáveis no meio-ambiente, entre outros fatores. Nosso cenário atual, evidenciado pelos noticiários e pela experiência real da labuta diária de inúmeros indivíduos, já confirma o diagnóstico pessimista de consequências previstas por esta ocupação urbana desenfreada.

Tendo em vista o contexto brasileiro, no que compete às atividades diárias dos cidadãos – trabalho, escola, lazer –, destacamos a violência e mobilidade urbanas como os principais problemas a serem resolvidos pela administração pública contemporânea – isso sem considerar o grande apelo e gravidade da atual crise hídrica. Em meio às muitas implicações negativas, os fenômenos de criminalidade urbana e elevado índice de congestionamento vêm provocando um efeito positivo: uma resposta mais consistente por parte da sociedade civil e a disposição de administradores públicos para transformar a realidade atual e futura. Esse efeito tem por resultado, em longo prazo, o fortalecimento da ação conjunta de três aspectos de inteligência: aspecto individual, que conta com criatividade e consciência de cada ser humano; o aspecto coletivo, que transforma a consciência individual em consciências “interligadas”; e, por fim, o aspecto artificial, que envolve a tendência irreversível de tornar nossas atividades mais tecnológicas e conectadas a equipamentos e sistemas.

É importante frisar a formação desse trinômio – individual, coletivo e artificial – porque o ideal de desenvolvimento de políticas públicas eficazes pressupõe uma perspectiva sistêmica de todas as atividades de cidadania, para além da perspectiva da administração pública apenas. Tais atividades são expressas pela influência mútua e permanente dos diversos órgãos públicos interessados e a sociedade civil organizada – em prol de um sentimento coletivo de respeito aos direitos e deveres e, principalmente, em prol da qualidade de vida de todos.

Portanto, vale reforçar que segurança pública não implica apenas no número de prisões feitas por dia ou na contratação de mais policiais, nem tampouco a organização do trânsito é de inteira responsabilidade das novas construções de vias ou novo mapeamento de rotas. O que se propõe é um efetivo uso da “inteligência” nos sistemas integrados, compostos por câmeras e outros recursos de conexão em tempo real, como aplicativos móveis e sistemas de comunicação interna. A inteligência pressupõe que tudo esteja interconectado: segurança (ações policiais), saúde (sistema de resposta a emergências), educação (comunicação à distância) e transporte (gestão do trânsito). Com isso, aliada ao monitoramento, a cidade inteligente identifica e age preventiva e corretivamente a partir da visão situacional. Quanto ao envolvimento da população, são as tecnologias que poderão potencializar a participação ativa e a forma como interagem com sua cidade.

Esse formato inovador, sustentado pelo massivo uso de tecnologias, já vem sendo muito utilizado em países mais desenvolvidos – o fixmystreet.com, no Reino Unido, por exemplo, permite que os moradores façam reporte direto, acompanhem e discutam os problemas locais, como quebra de pavimentação e vandalismo, interagindo e cobrando ações dos gestores públicos. A agradável surpresa é que essas ações também já ganham destaque em nosso país. Aplicativos móveis como o Waze (ou waze.com), que produz dados de rotas e de fluxos mais habituais, além dos horários de maior deslocamento, têm se multiplicado por vários municípios, em virtude da tentativa constante de fuga dos congestionamentos. Essa gestão do trânsito exerce enorme influência na economia local, visto que os congestionamentos impactam negativamente na qualidade de vida dos cidadãos e diminuem a produtividade econômica (PIB das cidades). Em Vila Velha, no Espírito Santo, o município trouxe a iniciativa do “Cidadão Vigilante”, desenvolvida para acompanhar em tempo real as informações sobre as vias públicas, hospitais e escolas da cidade, a partir do uso de um software integrador que hospeda e distribui os registros feitos tanto por agentes da prefeitura quanto por meio de smartphones equipados com o software, enviando dados online ao Centro de Monitoramento e Operações da cidade.

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A palavra integração tem conduzido as pesquisas e as ações de grandes empresários, gestores públicos, urbanistas, gestores de tecnologia e, inclusive, indivíduos comuns dispostos a colaborar na discussão e invenção de soluções inovadoras e integradas para o melhor planejamento e administração dos grandes centros urbanos. Um modelo comprovado que demonstra essa ação conjunta no Brasil é o Centro Integrado de Comando e Controle, desenvolvido e praticado, em seu momento inicial, em parceria com a SESGE (Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos – CICC), cujo objetivo é gerir e controlar as atividades em grandes eventos. O CICC expandiu sua funcionalidade e vem operando em diversos municípios, com o papel de integrar diferentes órgãos do estado, município e do Governo Federal (Polícias Federal, Rodoviária, Militar e Civil, Bombeiros, SAMU, Guarda Municipal, Defesa Civil e Engenharia de Tráfego), no intuito de responder rapidamente a eventuais incidentes, e gerenciar e controlar riscos.

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A conexão entre os órgãos e os informes diretos da população, em um exercício de reciprocidade, permite a troca mais rápida e eficaz de informações – tanto entre si quanto com sistemas de computação – acionando e ordenando automaticamente ações preventivas ou corretivas e, com isso, aprimorando o processo de tomada de decisão da gestão pública. A visão da cidade e de seus sistemas deve ser holística e, portanto, deve contemplar o trio fundamental que torna a cidade um lugar mais inteligente: as pessoas, os processos conjuntos e a gestão.

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