Muito já se escreveu e falou sobre o Profissional de TI do Futuro, com aspectos mais ou menos técnicos, direcionamentos para soluções de mercado, classificação de suas atividades, mudança de filosofia de trabalho, nível de escolaridade, tipos de cursos, etc.
Estes modelos e prognósticos são muito similares com foco apenas nas habilidades técnicas e diferenciam-se somente pelo objetivo do autor: um tipo de tecnologia, uma forma de comportamento ou as funcionalidades de um software.

Penso que seja interessante mudarmos estas abordagens e projetar o perfil com foco no outro lado, sob o ponto de vista do usuário:

Qual o perfil do Profissional de TI que o Usuário espera encontrar no futuro?

Veja também:

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 Se há algo que não mudará no futuro, é a existência do Usuário, as suas ansiedades e desejos cada vez mais complexos e urgentes, assim como a inevitável necessidade do Profissional do TI em atendê-lo de maneira cada vez mais eficiente e eficaz.

Lembro-me de ter lido algo de Max Gehringer sobre profissionais do futuro onde “…os profissionais das gerações Y e Z terão uma característica especial: para eles, o trabalho a ser executado é mais importante que a empresa que está pagando pela sua execução. Por natureza, são profissionais que apreciam a autonomia, mesmo que estejam ligados a uma empresa….”.

Os Usuários buscam em TI o mesmo atendimento que recebem em um restaurante VIP, um hotel 5 estrelas ou loja de alto padrão. No futuro eles mudarão suas expectativas? Obviamente não, assim, os Profissionais de TI devem, desde já, se preparar para ser menos “para o meu gosto (Profissional de TI)” e mais “para sua necessidade (Usuário)”.

Qual o trabalho a ser executado pelo Profissional de TI?

O trabalho a ser executado pelo Profissional de TI no futuro será customizado, quase que moldado à demanda do Usuário. Os empregadores, sejam grandes corporações ou empresas de autônomos, terão em TI um cenário massivo de captação e interpretação da solicitação associada aos testes de sanidade com os Usuários, para que cada etapa de um projeto de tecnologia da informação seja compartilhada com os geradores de necessidade, seguindo somente se aprovada.

Outro fator em destaque nesta visão de futuro sob a ótica do Usuário é que a IoT (Internet of Things) será cada vez mais transparente, com seus resultados cada vez mais exigidos pelos usuários como um “dado comum”, por mais que sua integração necessite de centros de inteligência, integração, comando e controle.
Se assim podemos dizer, o perfil deste profissional de TI deverá então ser o de ver o intangível e não mensurado de coisas espalhadas (mas conectadas pela web e nuvens), as opções de refinamento de informações coletadas e seus agrupamentos com informações de outras coisas para produção de um resultado ao qual o Usuário pague (e bem) por este conhecimento gerado.

Um exemplo clássico desta realidade envolve aplicações para pessoas que percorrem caminhos similares em sua rotina, com monitoramento espontâneo, onde ela poderá receber no rádio de seu carro informações de ofertas em postos de gasolina ou cafés da estrada, levando-o a realizar “aquela parada de sempre”, em um lugar novo que gere valor às suas necessidades.

Outro caso corporativo, já usual hoje em dia, mas de forma ainda tímida, envolve os pacientes de um hospital que, desde sua entrada, por meio de uma pulseira com sua identificação em RFID, terá sua rotina controlada, seus exames e diagnósticos encaminhados ao seu prontuário de forma integrada, suas reclamações e solicitações (desta estada ou de anteriores) são destacadas aos enfermeiros e médicos em casos que a inteligência do sistema veja necessidade de ação, todo histórico (deste e de outros hospitais e consultas médicas) são apresentadas e trabalhadas pelo sistema de inteligência que informa e da “dicas” aos médicos, etc.

Perfil do Profissional de TI

O perfil do profissional de TI por trás destas soluções é o de um técnico, que mapeie os processos dos usuários, ouça e interprete suas necessidades, gere testes de soluções que valorizem seus resultados e, ao final, deixe de lado qualquer ego para condicionar o Usuário a acreditar que foi ele quem “criou a ideia e algum técnico qualquer somente fez aquele programinha”.

Assim, uma das características mais importantes neste perfil do futuro do profissional de TI será a habilidade de ouvir o usuário (antes, durante e depois da entrega final), sem a necessidade de explicar toda complexidade técnica do big data por trás daquele aplicativo, a velocidade dos links de comunicação que viabilizam os resultados, os tipos de criptografia que impedem a invasão de criminosos aos seus dados, ou a inteligência artificial que suporta a linguagem de programação mais leve que fez com que tudo desse certo no tempo adequado. O que este usuário deverá saber é quando a solução entrará no ar e como ele fará para acessar por todos os seus devices e redes sociais.

Mas estas mudanças em prol do usuário já sendo absorvidas pela geração Y que se destaca em executar várias tarefas simultaneamente, sem perder o foco de cada uma, com autonomia e valor diferenciado por seu talento e não pelos diplomas que ostenta nas paredes. Em um futuro próximo, teremos a geração Z, com pessoas totalmente conectadas ao mundo digital, buscando encontrar um ambiente de trabalho semelhante ao mundo onde foi criado (casa, escola, clubes, cinemas, etc.), interativo, veloz, repleto de recursos, cheio de autonomia e individualidade, compartilhado e com pleno poder de decisão e acesso aos chefes.

Seja como for, nossos profissionais de TI verão um reflexo de suas características nos seus contratantes e “clientes”: um perfil de alta ansiedade, ousadia descontrolada, impulsividade ora benéfica ora prejudicial ao profissional (e a empresa).

O mundo de profissionais de Tecnologia da Informação terá pela frente uma nova geração de Usuários (X, Y, Z, Alpha, ou qualquer coisa do tipo), com a mesma voracidade por tecnologia aplicada na automatização de suas tarefas rotineiras, com a mesma natureza de conectividade 24 horas por dia, as mesmas ansiedades de tudo pronto agora.
Estes usuários terão a ousadia de achar que pode fazer tudo sozinhos, assim como a autonomia de mudar de fornecedor e solução em um simples “clique” ou zapear de um controle, e nossos profissionais de TI deverão ter em seu perfil a habilidade para surpreender o “seu cliente” e mantê-lo fiel ao seu discurso sempre inovador e atrativo.

Assim, seja qual for à denominação que queira se dar a esta geração de Profissionais de TI, o mais importe é que eles saberão dar o foco no Usuário e não somente ao conteúdo de suas soluções criadas, suas metodologias e padrões de mercado.

Em resumo, este Profissional de TI será um mentor, embasado por uma psicologia comercial básica que valoriza sua espontaneidade e diversidade de ser várias coisas (programador, médico, desenhista, professor, cozinheiro, marqueteiro, engenheiro, administrador, etc.), onde suas tarefas serão baseadas em projetos e resultados, assim como seu grupo de trabalho será heterogêneo, composto de técnicos, especialistas e usuários (talvez consultores de teste), com um sistema mais horizontal e menos hierárquico.

Todos ganham neste futuro, principalmente com produtos finais mais customizados, sustentáveis e capazes de serem replicados a partir de suas funcionalidades de adaptação a cada perfil de usuário básico, mas desenhada e estruturada por profissionais de TI cada vez mais especializados no sentido da audição.

Renato Teodoro Tocaxelli

renato-tocaxeliFormado em ciência da computação, pós-graduado em gestão de negócios e mercado eletrônico pela FGV. Experiência de mais de 20 anos na área comercial, com destaque ao atendimento de Governo, Defesa e Cidades Inteligentes, assim como desenvolvimento de soluções em GRC (governance, risk e compliance), segurança da informação, tecnologia da informação, comunicação eletrônica e EDI.
Ampla vivência no atendimento comercial a clientes de diversos portes, bem como no gerenciamento de equipes de consultores, dimensionamento de projetos e Planejamento Estratégico de GRC, com destaque na estruturação de Centros Integrados de Comando e Controle e conformidade com procedimentos e normativas de infraestrutura crítica.

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Muito já se escreveu e falou sobre o Profissional de TI do Futuro, com aspectos mais ou menos técnicos, direcionamentos para soluções de mercado, classificação de suas atividades, mudança de filosofia de trabalho, nível de escolaridade, tipos de cursos, etc. Estes modelos e prognósticos são muito similares com foco apenas...