Desde 1980, quando tivemos a primeira visita de um Papa ao Brasil, nos deparamos com a presença de uma autoridade, com preceitos e conceitos morais e observação aos conceitos de gerir uma sociedade com anseios, desejos e necessidades específicas. Os papas, notadamente o primeiro e o terceiro que nos visitaram, João Paulo II e Francisco, causaram grande comoção e envolvimento popular. Nas seis visitas até agora registradas, mesmo com Bento XVI, vimos a aglomeração de pessoas e a mudança da rotina de toda uma sociedade.

Gestão de Continuidade de Negócios

crédito: Notícias UOL

Na última semana de julho de 2013, o Papa Francisco presidiu a JMJ, Jornada Mundial da Juventude, que veio para reunir um grupo imenso de peregrinos de todas as partes do mundo, além de mudar a rotina da segunda maior cidade do Brasil. O Rio de Janeiro experimentou durante uma semana inteira, além da visita do papa, chuvas torrenciais, a necessidade de gerenciar mudanças de última hora e um dos eventos mais visitados em todo mundo.

Jornada Mundial da Juventude (JMJ)

Criada por João Paulo II em 1984 com o objetivo de agrupar jovens de todas as idades em torno dos diversos preceitos católicos, a JMJ vem ocorrendo em intervalos de dois a três anos em diversos países do mundo e com objetivos singulares: honrar a igreja, consolidar os valores cristãos, espalhar suas ideias pelo mundo e determinar o crescimento da religião que vem perdendo adeptos através dos tempos. Com isso, também determina a continuidade das ações dos católicos ao redor do mundo.

Com 3,7 milhões  de participantes, o evento no Rio de Janeiro foi o segundo maior, perdendo apenas  para a edição de 1995, em Manilla, Filipinas, com 4 milhões de pessoas.

A multidão habitou e mudou a rotina de toda a cidade do Rio de Janeiro, comprovando o poder de um grande planejamento, aliado à determinação de quem o organizou, de manter acesa uma chama e de povoar o imaginário com condições que determinam, de todos os lados, a condução dos momentos especiais que se notaram durante todo o evento. Quem, mesmo não sendo católico, não se emocionou com as diversas demonstrações de carinho do Papa junto ao povo?

O Papa e a Continuidade na Sociedade

Este novo “Chico” (Papa Francisco) é o 266º sucessor do apóstolo Pedro, convertido pelo próprio Jesus, segundo a história, como o prelado dos conceitos e assuntos de uma crença que se não completa a alma de toda a humanidade, é responsável por mais de 60% dos adeptos de alguma religião nessa mesma humanidade. Esta história se configura, sem nenhuma dúvida, um processo duradouro de continuidade que já dura mais de dois mil anos.

Pode-se não concordar com essa ou aquela religião. Pode-se não assumir esta ou aquela posição frente a uma ou outra conduta religiosa, mas não se pode olvidar a realidade dessa história que compõe um processo inequívoco e contínuo que vence o tempo e precisa, neste momento, renovar-se e aos seus diversos membros mundo afora.

Com esse objetivo, o Papa visitou obras de caridade, falou para diversos públicos e honrou com peculiaridade específica o que fez o querido João Paulo II, quando em sua primeira visita ao Brasil, no mesmo Rio de Janeiro.

Os desafios da segurança e da continuidade

Quantos problemas não gerou esse Chico às autoridades que precisavam cuidar de sua segurança com todas as quebras de protocolo e com sua proximidade junto ao público? Quantas noites de sono perdidas por essas autoridades quando souberam que ele decidiu que modificaria seu veículo de transporte público, o Papamóvel, retirando os vidros blindados que foram colocados após o atentado a seu antecessor?

Graças a Deus nada aconteceu, dizem alguns

Não faria essa viagem pela metade, olhando o público de uma caixa de vidro, disse o próprio Papa em entrevista à Rede Globo.

Muita sorte tem esse homem, pensam vários.

Deus protege o bom coração, finalizam outros.

Seja como for, a questão da segurança é de extrema relevância e os planos que norteiam eventos de grande porte são amplamente discutidos em diversos fóruns e por especialistas no tema e na região. Sem dúvida, a preparação da JMJ foi extenuante e atuou com precisão, pois nenhuma ocorrência grave foi notificada. O evento foi um sucesso e a tranquilidade para as autoridades, por um lado, e os erros de percurso, por outro, são aprendizados para o futuro.

Na semana da jornada, o local escolhido para abrigar toda a multidão, conhecido por “campo da fé”, não reunia condições de cumprir seu papel em função das fortes chuvas, obrigando a escolha de outros pontos para que o evento não fosse interrompido.

É possível mensurar o que teria ocorrido para a imagem do Brasil, para a organização de todo o evento e para a própria igreja se não tivessem sido escolhidas antecipadamente as contingências  – chuvas  ou, mais amplamente, a impossibilidade da utilização dos locais determinados para a realização do evento?

Seria desconcertante. Os principais veículos de comunicação de massa relatando o retorno frustrado para seus estados e países de milhares de jovens que gastaram suas economias amealhadas nos últimos dois anos por não ter tido o evento… a humilhação pública do Papa em sua primeira visita internacional ao país com mais católicos em todo o mundo… a perda de credibilidade do Brasil às vésperas da Copa do Mundo e Olimpíadas… o medo de toda a população pela incompetência das autoridades em lidar com questões que envolvam segurança pública.

As perdas dos moradores e comerciantes da região de Guaratiba, que se prepararam para receber o grande público e não tiveram retorno, são irreparáveis. Mas, mesmo respeitando esses problemas, há de se admitir que a organização acertou na mudança de rota para evitar um mal maior.

 Os conceitos da Continuidade ilustrados na JMJ

Os mestres da Continuidade de Negócio ( GCN ) nos ensinam que os preceitos do tema foram respeitados e aplicados de maneira correta.

A metodologia base da Gestão da Continuidade de Negócios ( GCN ), preconizada na norma ISO 22301 e na norma brasileira NBR 15999, diz que se deve:

  • Planejar o projeto conhecendo seus objetivos.
  • Atribuir estudos de região, de áreas afetadas, de riscos intrínsecos à situação.
  • Mensurar, conhecer e documentar os impactos advindos da situação, caso o problema não seja contornado.
  • Determinar estratégias e modelos de abordagem para prover contingência aos riscos estudados.
  • Documentar planos dirigidos e segregados em suas competências, focos de atuação (ou negócios) e ativos (ambientes que suportarão os objetivos).
  • Testar e comunicar a todos as decisões do projeto diante da possiblidade de crise, que se instaurará caso o problema estudado ocorra.

É fato que, pelo que se viu nas estratégias de atuação, as autoridades fizeram adequadamente a lição de casa e a implantaram com sucesso. É fato também que o resultado foi positivo, ainda que problemático para a comunidade contrita à região afetada e, ainda pelos preceitos da Continuidade de Negócios, se deve agora tratar deste problema, Recuperando o Desastre causado naquela localidade.

Pela avaliação da situação, é notória a existência de lições a serem aprendidas, como a melhoria da comunicação e a realização de testes mais maduros para o trato deste tipo de problema, considerando inclusive que este grande evento seja utilizado como teste para os próximos que virão, especialmente em 2014 e 2016, levando a efeito mais um conceito da Continuidade, a evolução dos níveis de maturidade frente a eventos similares que fornecem aprendizados aos que os sucedem.

O Brasil tem amadurecido com as ocorrências e problemas de diversos tipos. Tido como um povo jovem e cheio de motivação, nossa sociedade ainda tem muito a aprender e o aprendizado, muitas vezes, se mostra mais efetivo quando o crescimento se dá por meio de perdas e ganhos no sucesso ou insucesso na condução de situações similares às encontradas na JMJ.

Bons e contínuos ventos a todos!

William Alevate

William AlevateProfissional da Módulo Security, especialista em GRC, incluindo todas as disciplinas de Gestão de Segurança da Informação, tais como Políticas, Criação e Desenvolvimento de Áreas de Segurança da Informação, Gestão da Continuidade de Negócios, Governança Corporativa, Governança em Segurança da Informação e Gestão de Pessoas.

Professor especialista de GCN nos cursos de Pós Graduação” da UNICID, do Mackenzie e do VERIS – IBTA, desde 2008.
Co-autor do livro “formação de Security Officer 1 (MCSO 1)” da Módulo e autor do livro “Você e a Continuidade de Negócios” (não publicado – utilizado em suas aulas e ações acadêmicas).

Publicou dezenas de artigos sobre Gestão de Segurança e Continuidade de Negócios em veículos especializados. Ministrou palestras em eventos focados em Segurança, Continuidade de Negócios nos mais diversos fóruns do mercado (SUCESU, FENASOFT, CNASI, GRC Meeting, Executive Meeting, Security Week e eventos do Governo Estadual (SP, RJ, RS) e Federal, entre outros eventos de relevante importância.

 

Summary
Event
Lançamento Livro: Gestão de Continuidade de Negócios - William Alevate
Location
Livraria Cultura Conjunto Nacional, Av. Paulista, 2073 - Térreo,Centro,São Paulo
Starting on
12/03/2013
Ending on
12/03/2013
Compartilhe conhecimentoShare on LinkedInShare on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+
http://segurancadainformacao.modulo.com.br/wp-content/uploads/2013/08/52.pnghttp://segurancadainformacao.modulo.com.br/wp-content/uploads/2013/08/52.pngWilliam AlevateGestão de Continuidade de Negócioscontinuidade de negócios,GCN,gestão de continuidade de negócios
Desde 1980, quando tivemos a primeira visita de um Papa ao Brasil, nos deparamos com a presença de uma autoridade, com preceitos e conceitos morais e observação aos conceitos de gerir uma sociedade com anseios, desejos e necessidades específicas. Os papas, notadamente o primeiro e o terceiro que nos...